domingo, 22 de março de 2009

Por que nerds não são populares

Este artigo foi escrito por Paul Graham, um nerd americano bem sucedido. O original está aqui.

Este texto me chamou muita atenção, em parte porque reflete uma etapa (felizmente curta) de minha vida escolar, e em parte por tocar em alguns pontos que me incomodam enquanto educador, e foi escrito com bastante sensibilidade. Como professor de escolas públicas, posso afirmar que a disputa por status nas escolas públicas brasileiras não é tão acirrada como nas escolas públicas americanas. A situação descrita por Graham parece mais com a minha, quando freqüentei uma escola particular de classe média. Mas ele acerta em cheio quanto ao despropósito das escolas regulares. Peço perdão pelas notas, se eu descobrir um meio mais prático de localizá-las no texto, eu re-posto direito. Anyway, tentei traduzir de modo que não seja necessário recorrer a elas, mas acho que em alguns momentos será. (Sugestão: se quiser mesmo ler as notas, abra uma outra janela e vá para o fim da página, onde as notas estão.)



Por que nerds não são populares

Quando estávamos no terceiro ano1, meu amigo Rich e eu fizemos um mapa das mesas do refeitório da escola segundo a popularidade. Foi fácil de fazer, porque os garotos só almoçavam com outros de mais ou menos a mesma popularidade. Classificamo-los de "A" a "E". As mesas "A" ficavam cheias de jogadores de football2 e chefes de torcida3, e assim por diante. Nas mesas "E" ficavam alunos com casos brandos de Síndrome de Down, o que na linguagem da época chamávamos de "retards"4.

Sentávamo-nos numa mesa "D", o mais baixo que se conseguia sem ter uma diferença física muito aparente. Não estávamos sendo especialmente humildes em nos classificar com "D". Seria mentir deliberadamente dizer outra coisa. Cada um na escola sabia exatamente quão popular cada um dos outros era, inclusive nós.

Minha cotação subiu gradualmente durante o ensino médio. A puberdade finalmene chegou; tornei-me um jogador de futebol decente; iniciei um jornal sensacionalista clandestino. Então vi boa parte do panorama da popularidade.

Conheço um monte de gente que foi nerd na escola, e todos contam a mesma história: há forte correlação entre ser inteligente e ser nerd, e uma correlação inversa ainda mais forte entre ser nerd e ser popular. Ser inteligente parece te fazer impopular.

Por quê? Para quem ainda está na escola, pode parecer uma coisas estranha de se perguntar. O fato em si é tão evidente que chega a ser estranho imaginar que pudesse ser de qualquer outro jeito. Mas poderia. Ser inteligente não te faz um rejeitado na escola elementar. Nem te machuca no mundo real. E, até onde posso dizer, o problema não é tão grave na maioria dos outros países. Mas em uma típica escola secundária americana, ser inteligente provavelmente deixará sua vida mais difícil. Por quê?

A chave para este mistério é refrasear ligeiramente a pergunta. Por que garotos inteligentes não se fazem populares? Se são tão espertos, por que não aprendem como a popularidade funciona e vencem o sistema, assim como fazem com os testes padronizados?

Há um argumento que diz ser isto impossível, que os alunos inteligentes são impopulares porque os outros garotos os invejam por serem inteligentes, e nada que possam fazer os tornará populares. Quem dera. Se os outros garotos do ensino médio me invejavam, eles dissimulavam isto muito bem. E em todo caso, se ser inteligente fosse uma qualidade invejável, as garotas teriam rompido as fileiras. Dos caras que outros caras invejam, as garotas gostam.

Nas escolas que freqüentei, ser inteligente5 não importava muito. As pessoas não admiravam nem menosprezavam o fato. Sendo todo o resto igual, elas teriam preferido estar do lado inteligenteda média a estar do lado burro, mas a inteligência contava bem menos do que, digamos, aparência física, carisma ou habilidades atléticas.

Então se a inteligência em si não é um fator de popularidade, por que garotos inteligentes são tão consistentemente impopulares? A resposta, penso eu, é que eles não querem muito ser populares.

Se alguém tivesse me falado isso naquele tempo, eu teria rido desta pessoa. Ser impopular na escola deixa as pessoas infelizes, algumas tão infelizes que cometem suicídio. Falar-me que eu não queria ser popular seria como dizer a um homem morrendo de sede no deserto que ele não queria um copo d'água. Claro que eu queria ser popular.

Mas na verdade eu não queria, não o bastante. Havia outra coisa que eu queria mais: ser inteligente. Não simplesmente ir bem na escola, apesar de isto contar, mas desenvolver belos foguetes, ou escrever bem, ou entender como programar computadores. Em geral, fazer coisas legais.

Naquele tempo, eu nunca tinha tentado separar meus quereres e pesá-los. Se tivesse, teria visto que ser inteligente era mais importante. Se alguém tivesse me dado oferecido uma chance de ser o cara mais popular da escola, mas ao preço de ter inteligência mediana (com o perdão da expressão), eu não teria aceito.

Mesmo que sofram por sua impopularidade, não acho que muitos nerds o teriam. Para eles, a idéia de inteligência mediana é insuportável. Mas a maioria das crianças toparia a proposta. Para metade delas, seria um avanço. Mesmo para alguém no octagésimo percentil (assumindo, como todos pareciam então, que a inteligência é escalar), quem não teria largado trinta pontos para ser amado e admirado por todos?

E esta, imagino, é a raiz do problema. Os nerds servem a dois mestres. Eles querem ser populares, certamente, mas querem mais ainda ser inteligentes. E popularidade não é algo que se possa construir no seu tempo livre, não no ambiente ferozmente competitivo de uma escola secundária americana.

Alberti, possivelmente o arquétipo de Homem do Renascimento6, escreve que "nenhuma arte, por menor que seja, demanda menos que dedicação total se você quiser se sobressair nela". Me pergunto se alguém neste mundo se empenha mais em qualquer coisa do que os alunos das escolas americanas se empenham pela popularidade. Fusileiros navais7 e residentes de neurocirurgia pareceriam uns relaxados comparados a eles. Estes ocasionalmente tiram férias, alguns até têm hobbies. Um adolescente americano pode trabalhar em ser popular cada hora do dia, 365 dias por ano.

Não quero sugerir que o façam conscientemente. Alguns deles realmente são pequenos Maquiavéis, mas o que quero ressaltar aqui é que os adolescentes passam o tempo todo na função, como conformistas.

Por exemplo, adolescentes dão muita atenção a roupas. Eles não se vestem pensando em serem populares. Eles se vestem para ficarem bonitos. Mas para quem? Para os outros adolescentes. A opinião dos outros adolescentes torna-se sua definição de certo, não só para roupas, mas para quase tudo o que fazem, até para o jeito como andam. E então cada esforço que fazem para fazer as coisas "certo" é também, conscientemente ou não, um esforço para ser mais popular.

Nerds não percebem isso. Eles não percebem que dá trabalho ser popular. Em geral, pessoas de fora de determinados campos muito exigentes não percebem em que medida o sucesso depende de constantes (apesar de freqüentemente inconscientes) esforços. Por exemplo, a maioria das pessoas parece considerar a habilidade de desenhar uma qualidade inata, como ser alto. Na verdade, as pessoas que "sabem desenhar" gostam de desenhar, e dedicaram muitas horas a isto; é por isso que são boas nisto. Do mesmo modo, popular não é algo que você é ou não é, mas algo que você faz por si mesmo.

A principal razão para os nerds serem impopulares é que eles têm outras coisas em que pensar. Sua atenção é atraída por livros ou pelo mundo natural, não por modas e festas. São como alguém tentando jogar futebol enquanto equilibra um copo d'água na cabeça. Outros jogadores que podem focar toda sua atenção no jogo os vencem sem esforço, e se perguntam por que aqueles parecem tão incapazes.

Mesmo que os nerds se importassem tanto quanto os outros com a popularidade, ser popular daria mais trabalho para eles. Os garotos populares aprenderam a serem populares, e a quererem ser populares, do mesmo modo que os nerds aprenderam a ser inteligentes e a querer ser inteligentes: com seus pais. Enquanto os nerds eram treinados a encontrarem as respostas certas, os caras populares estavam sendo treinados a agradar.

Até agora vim esmiuçando a relação entre inteligência e nerdice, usando-as como se fossem intercambiáveis. Mas na verdade é só porque o contexto permite. Um nerd é alguém que não é socialmente adaptado o bastante. Mas "o bastante" depende de onde você está. Numa típica escola americana, os padrões de "maneirice"8 são tão altos (ou pelo menos tão específicos) que você não precisa ser especialmente desajeitado para parecer desajeitado por comparação.

Poucos rapazes inteligentes podem dispensar a atenção que a popularidade requer. A menos que aconteça de serem bonitos, atletas natos, ou irmãos de caras populares, eles tendem a se tornar nerds. E é por isso que as vidas das pessoas são piores entre, digamos, os onze e dezessete anos. A vida nesta idade gira muito mais em torno da popularidade do que antes ou depois.

Antes disto, a vida das crianças é dominada por seus pais, não por outras crianças. Claro que as crianças se importam com a opinião de seus colegas na escola elementar, mas isto não é a totalidade de sua vida, como se torna depois.

Lá pelos onze anos, entretanto, as crianças começam a tratar sua família como um trabalho diurno9. Eles criam um novo mundo entre si, e viver neste mundo é o que importa, não viver em família. De fato, ter problemas com a família pode até valer pontos no mundo com que se importam.

O problema é que o mundo que estas crianças criam para si é de início muito rude. Se deixares um bando de garotos de onze anos por sua própria conta, o resultado será O Senhor das Moscas10. Como muitos garotos americanos, li este livro na escola. Presumivelmente, não foi coincidência. Presumivelmente, alguém queria nos mostrar que éramos selvagens, e que tínhamos feito para nós mesmos um mundo cruel e estúpido. Mas era sutil demais para mim. Apesar de o livro parecer inteiramente crível, não captei a mensagem adicional. Queria que nos tivessem contado diretamente que éramos selvagens e que nosso mundo era estúpido.

Os nerds achariam sua impopularidade mais suportável se ela simplesmente os fizesse serem ignorados. Infelizmente, ser impopular na escola é ser ativamente perseguido.

Por quê? Mais uma vez, qualquer um ainda na escola pode achar que seja uma coisa estranha de se perguntar. Como as coisas poderiam ser diferentes? Mas poderiam. Normalmente, adultos não perseguem nerds. Por que adolescentes o fazem?

Em parte porque adolescentes ainda são metade crianças, e muitas crianças simplesmente são intrinsecamente cruéis. Alguns torturam nerds pela mesma razão que arrancam as patas de uma aranha. Até que se desenvolva uma consciência, tortura é diversão.

Outro motivo para os garotos perseguirem nerds é para se sentirem melhor. Para flutuar na água11, você se ergue ao empurrar a água para baixo. Da mesma forma, em qualquer hierarquia social, pessoas inseguras de sua própria posição tentarão enfatizá-la maltratando os que julgam estar num nível inferior. Eu li que é por isso que os brancos pobres nos EUA são o grupo mais hostil aos negros.

Mas penso que a principal razão para as outras crianças perseguirem os nerds é que faz parte do mecanismo da popularidade. A popularidade só tem a ver parcialmente com a atração exercida pelo indivíduo. Tem muito mais a ver com alianças. Para ficar mais popular, você precisa constantemente fazer coisas que te aproximem de outras pessoas populares, e nada aproxima mais as pessoas do que um inimigo comum.

Como um político que quer desviar a atenção dos eleitores de maus tempos internos, você pode criar um inimigo, caso não exista um de verdade. Ao discriminar e perseguir um nerd, um grupo de garotos acima na hierarquia cria laços entre si. Atacar alguém "de fora" os faz a todos serem "de dentro". É por isso que os piores casos de bullying acontecem em grupos. Pergunte a qualquer nerd: você verá um tratamento muito pior de um grupo de garotos do que de um bully12 sozinho, por mais sádico que seja.

Se isto servir de consolo para os nerds, não é nada pessoal. O grupo de garotos que se junta para te importunar estão fazendo a mesma coisa, e pelo mesmo motivo, que um bando de caras se reúne para caçar. Na verdade eles não te odeiam. Eles só precisam do quê caçar.

Como estão na base da escala, os nerds são o alvo mais seguro da escola inteira. Se me lembro corretamente, os caras mais populares não perseguem nerds; eles não precisam se rebaixar a tanto. O mais da perseguição vem de caras bem abaixo, as nervosas classes médias.

O problema é que há muitas delas. A distribuição da popularidade não é uma pirâmide, mas se afunila na base como uma pera. O grupo menos popular é bem pequeno. (Acredito que fôssemos a única mesa "D" em nosso mapa do refeitório.) Então existem muito mais pessoas querendo azucrinar os nerds do que nerds para azucrinar.

Assim como ganha pontos ao se distanciar de alunos impopulares, a pessoa perde pontos ao se aproximar deles. Uma mulher que eu conheço diz que no ensino médio ela gostava de nerds, mas tinha medo de ser vista falando com eles porque as outras garotas zombariam dela. Impopularidade é uma doença contagiosa; alguns adolescentes legais demais para incomodarem os nerds ainda assim vão ostracizá-los como forma de autodefesa.

Não admira, então, que crianças inteligentes tendam a ser infelizes no ginásio e ensino médio. Seus outros interesses deixam pouca atenção disponível para darem à popularidade, e como a popularidade se assemelha a um jogo de soma zero, isto os torna alvos de toda a escola. E a parte estranha é que este cenário aterrador acontece sem qualquer malícia consciente, apenas pela forma da situação13.


Para mim, a parte mais tensa foi o primeiro ano, quando a cultura adolescente era nova e dura, e a especialização que depois separaria gradativamente os mais espertos apenas começava. Quase todos com quem conversei concordam: o fundo do poço foi entre os onze e quatorze anos.

Em nossa escola, era o oitavo ano [sétima série], que para mim foi nas idades de doze e treze anos. Houve uma breve comoção naquele ano quando uma de nossas professoras por acaso ouviu um grupo de garotas que aguardava o ônibus da escola, e ficou tão chocada que no dia seguinte dedicou toda a aula a um eloqüente discurso para não sermos tão cruéis uns com os outros.

Não teve qualquer efeito perceptível. O que me chamou a atenção na época foi que ela estava surpresa. Quer dizer que ela não sabia que tipo de coisas dizíamos uns para os outros? Quer dizer que isto não é normal?

É importante perceber que, não, os adultos não sabem o que os alunos fazem uns aos outros. Eles sabem, abstratamente, que os adolescentes são monstruosamente cruéis uns com os outros, assim como sabemos abstratamente que as pessoas são torturadas nos países mais pobres. Mas, como nós, eles não se atêm a este fato deprimente, e não vêem provas de abusos específicos a menos que procurem por elas.

Professores de escolas públicas estão na mesma posição que os carcereiros nas prisões. A principal preocupação do carcereiro é manter os prisioneiros no prédio. Eles também precisam mantê-los alimentados e, tanto quanto possível, evitar que matem uns aos outros. Fora isso, o que querem é ter o mínimo possível a ver com os prisioneiros, de modo que os deixam criar qualquer organização social que queiram. Do que li, a sociedade criada por encarcerados é pervertida, selvagem e difusa, e não tem a menor graça estar em sua base.

Em linhas gerais, era o mesmo nas escolas que freqüentei. O mais importante era estar no prédio. Enquanto estivesse lá, as autoridades te alimentavam, evitavam violência explícita, e faziam algum esforço em te ensinar algo. Mas além disso, elas não queriam ter muito a ver com os alunos. Como os carcereiros, os professores nos deixavam muito por nossa própria conta. E, como prisioneiros, a cultura que criamos era bárbara.


Por que o mundo real é mais hospitaleiro com os nerds? Pode parecer que a resposta é simplesmente que ele é povoado por adultos, que são muito maduros para ficarem implicando uns com os outros. Mas não acho que seja verdade. Adultos na prisão certamente implicam uns com os outros. Do mesmo modo, aparentemente, fazem as socialites14; em certas partes de Manhattan, a vida das mulheres parece uma continuação da escola secundária, com as mesmas intrigas mesquinhas.

Acho que o importante sobre o mundo real não é que seja povoado de adultos, mas que seja muito grande, e as coisas que você faz têm efeitos reais. É isso que falta às escolas, prisões e senhoras desocupadas. Naturalmente, estas sociedades degeneram em selvageria. Elas não tem uma função que oriente sua forma15.

Quando as coisas que você faz têm efeitos reais, não é mais suficiente que sejam agradáveis. Começa a ser importante obter as respostas certas, e é onde os nerds levam vantagem. Bill Gates certamente virá à mente. Apesar de notoriamente não possuir habilidades sociais, ele consegue as respostas certas, pelo menos as medidas em rendimentos.

A outra diferença sobre o mundo real é que ele é muito maior. Em um universo grande o suficiente, mesmo as menores minorias podem formar uma massa crítica se se unirem. Aqui no mundo real, os nerds se reúnem em certos lugares e formam suas próprias sociedades, nas quais a inteligência é a coisa mais importante. Às vezes a corrente chega a fluir em outra direção: às vezes, particularmente nas universidades de matemática e departamentos científicos, os nerds exageram deliberadamente sua esquisitice para parecerem mais inteligentes. John Nash admirava tanto Norbert Wienter que adotou seu hábito de tocar a parede enquanto andava por um corredor.


Aos treze anos de idade, minha experiência não ia muito além do mundo que via imediatamente ao meu redor. Eu não percebia que a razão pela qual nós nerds não nos ambientávamos era porque em alguns aspectos nós estávamos um passo à frente. Nós já pensávamos sobre o tipo de coisa que importam no mundo real, em vez de jogar um jogo exigente, mas sobretudo sem sentido, como os outros.

Nós éramos um pouco como um adulto seria se fosse empurrado de volta para o ensino médio. Ele não saberia as roupas certas a vestir, a música certa a gostar, a gíria certa a usar. Ele pareceria aos adolescentes um completo alienígena. Mas o ponto é que ele saberia o suficiente para não se importar com o que os outros pensam. Nós não tínhamos tal autoconfiança.

Muita gente parece pensar que é bom para os garotos inteligentes serem postos juntos ao normais nesta fase de suas vidas. Talvez. Mas, pelo menos em alguns casos, o motivo pelo qual os nerds não se ambientam é porque na verdade todos os outros são loucos. Eu me lembro de sentar no auditório de um pep rally16 na minha escola, e assistir a uma chefe de torcida lançar uma efígie de um jogador adversário para ser rasgada em pedaços. Senti-me como um explorador testemunhando um ritual tribal bizarro.

Se eu pudesse voltar e dar um conselho ao meu eu de treze anos, a principal coisa que eu o diria seria para erguer a cabeça e olhar ao redor. Eu não compreendia na época, mas o mundo em que vivíamos era tão falso quanto um Twinkie17. Não apenas a escola, mas a cidade inteira. Por que as pessoas se mudam para os subúrbios18? Para terem filhos! Então não impressiona que parecesse chato e estéril. O lugar todo parecia um grande berçário, uma cidade artificial criada explicitamente com o propósito de criar crianças.

Onde eu cresci, parecia que não havia lugar para ir, e nada para fazer. Não era por acidente. Subúrbios são projetados deliberadamente para excluir o mundo exterior, porque este contém coisas que poderiam pôr as crianças em perigo.

E quanto às escolas, elas eram apenas currais de espera19 no interior deste mundo de mentira. Oficialmente, o propósito das escolas é ensinar as crianças. Na verdade seu propósito primário é manter as crianças trancadas em algum lugar por uma grande parte do dia, para que os adultos possam realizar suas tarefas. E eu não tenho problemas com isto: numa sociedade industrial especializada, seria um desastre ter crianças correndo soltas por aí.

O que me incomoda não é que as crianças sejam mantidas em prisões, mas que (a) isto não seja dito a elas, e (b) as prisões sejam administradas principalmente pelos internos. As crianças são mandadas para passarem seis anos memorizando fatos sem sentido num mundo comandado por uma casta de gigantes que correm atrás de uma bola marrom oblonga20, como se isto fosse a coisa mais natural do mundo. E se eles falham neste coquetel surreal, são chamados de desajustados.

A vida neste mundo distorcido é estressante para a criança. E não só para os nerds. Como em qualquer guerra, até os vencedores sofrem danos.

Os adultos não podem evitar de ver que os adolescentes são atormentados. Então por que não fazem algo a respeito? Porque eles culpam a puberdade. A razão pela qual os garotos são tão infelizes, dizem os adultos a si mesmos, é que monstruosas substâncias novas, hormônios, estão agora correndo por suas veias e perturbando tudo. Não há nada de errado com o sistema; é apenas inevitável que as crianças sejam infelizes nesta idade.

Esta idéia é tão difundida que até os adolescentes acreditam nela, o que provavelmente não ajuda. Alguém que pensa que seus pés doem naturalmente não vai parar para considerar a possibilidade de estar calçando um sapato de número errado.

Desconfio desta teoria de que crianças de treze anos sejam intrinsecamente perturbadas. Se for fisiológico, deve ser universal. Os nômades mongóis são todos niilistas aos treze anos? Li bastante sobre História, e não vi uma única referência a este fato supostamente universal antes do século XX. Os aprendizes adolescentes na Renascença parecem ter sido alegres e eufóricos. Eles brigavam e pregavam peças uns nos outros, é claro (Michelângelo teve o nariz quebrado por um bully), mas não eram malucos.

Até onde posso dizer, o conceito de adolescente enlouquecido por hormônios é coevo aos suburbios. Não acho que seja coincidência. Acho que os adolescentes são levados à loucura pela vida que são obrigados a levar. Os adolescentes aprendizes da Renascença eram cães de trabalho. Os adolescentes agora são cachorrinhos de madame neuróticos21. Sua loucura é a loucura dos desocupados em toda parte.

Quando eu estava na escola, o suicídio era um tópico constante entre os garotos mais espertos. Ninguém que eu conhecesse cometeu, mas muitos planejavam, e alguns podem até ter tentado. Isto era em grande parte uma pose. Como outros adolescentes, nós adorávamos o dramático, e suicídio parecia bem dramático. Mas em parte era porque nossas vidas às vezes eram genuinamente miseráveis.

O bullying era apenas parte do problema. Outro problema, e talvez um problema pior, era que nós nunca tínhamos nada real em que trabalhar. O ser humano gosta de trabalhar; na maior parte do mundo, seu trabalho é sua identidade. E todo o trabalho que fazíamos era inútil, ou parecia assim na época.

No máximo era uma prática para o trabalho real que poderíamos exercer num futuro distante, tão distante que sequer sabíamos na época por que estávamos praticando. Mais freqüentemente era apenas uma série arbitrária de aros através dos quais pular, palavras sem conteúdo desenvolvidas para a testabilidade (As três principais causas da Guerra Civil foram... Teste: Liste as três principais causas da Guerra Civil.)

E não havia meio de se retirar. Os adultos tinham concordardo entre si que esta deveria ser a rota para a faculdade. O único meio de escapar desta vida vazia era submeter-se a ela.



Os adolescentes costumavam ter um papel mais ativo na sociedade. Em tempos pré-industriais, eles eram todos aprendizes de um tipo ou outro, fosse em lojas ou em fazendas, ou mesmo em navios de guerra. Eles não eram deixados para criar suas próprias sociedades. Eles eram membros mirins das sociedades adultas.

Parece que os adolescentes respeitavam mais os adultos então, porque os adultos eram visivelmente peritos nas habilidades que eles tentavam aprender. Hoje muitos têm pouca idéia do que seus pais fazem em seus distantes escritórios, e não vêem conexões (de fato, são raras) entre o trabalho escolar e o trabalho que exercerão quando adultos.

E se os adolescentes respeitavam mais os adultos, os adultos tinham mais uso para os adolescentes. Depois de alguns anos de treino, um aprendiz podia ser uma verdadeira ajuda. Mesmo o aprendiz mais novo podia ser mandado levar mensagens, ou varrer a oficina.

Hoje os adultos não têm nenhum uso imediato para os adolescentes. Eles só atrapalhariam a passagem no escritório. Então os adultos os largam na escola em seu caminho para o trabalho, assim como largam o cão num canil se forem passar o fim de semana fora.

O que aconteceu? Estamos diante de uma difícil. A causa deste problema é a mesma de tantos males atuais: especialização. À medida que os trabalhos ficam mais especializados, temos que treinar mais tempo para eles. Jovens na era pré-industrial começavam a trabalhar no máximo pelos 14 anos; jovens nas fazendas, onde a maioria das pessoas vivia, começavam bem antes. Hoje jovens que vão para a faculdade não trabalham em tempo integral até os 21 ou 22. Em alguns graus, como doutorado e PhD, você pode não terminar seu treinamento até os 3022.

Os adolescentes hoje são inúteis, exceto como mão de obra barata em indústrias como a de fast food, que evoluíram precisamente para explorar este fato. Praticamente em qualquer outro tipo de trabalho, eles só dariam prejuízo. Mas também são muito novos para serem deixados sem supervisão. Alguém tem que ficar de olho neles, e o jeito mais eficiente de fazê-lo é colocá-los juntos em um lugar só. Assim uns poucos adultos podem observar todos eles.

Se você parar por aí, o que está descrevendo é literalmente uma prisão, só que em tempo parcial. O problema é que muitas escolas praticamente param por aí. O propósito manifesto das escolas é educar as crianças. Mas não há qualquer pressão externa para fazer isto bem. E então a maioria das escolas faz um trabalho tão ruim de ensino que as crianças não o levam a sério - nem mesmo as crianças inteligentes. A maior parte do tempo estávamos todos, tanto alunos quanto professorees, apenas cumprindo o protocolo.

Nas aulas de Francês do ensino médio, tínhamos que ler Os miseráveis, de Victor Hugo. Não acho que nenhum de nós soubesse Francês bem a ponto de conseguir ler todo este enorme livro. Como o resto da turma, eu apenas passei os olhos pelas resenhas23. Quando nos deram uma prova sobre o livro, notei que as questões pareciam estranhas. Estavam cheias de palavras longas que nosso professor não teria usado. De onde vieram estas questões? Das resenhas, ficou claro. O professor também as estava usando. Estávamos todos apenas fingindo.

Certamente há bons professores de escolas públicas. A energia e imaginação do meu professor do quarto ano, Sr. Mihalko, fez daquele ano algo de que seus alunos ainda falam, trinta anos depois. Mas professores como ele eram indivíduos nadando contra a corrente. Não poderiam consertar o sistema.




Em quase todo grupo de pessoas, você encontrará hierarquias. Quando grupos de adultos se formam no mundo real, geralmente é com algum objetivo, e os líderes acabam sendo os que forem melhores nele. O problema da maioria das escolas é que elas não têm nenhum objetivo. Mas deve haver hierarquia. Então as crianças criam uma.

Existe uma frase que descreve o que acontece quando um ranking precisa ser criado sem nenhum critério significativo. Dizemos que a situação degenera em um concurso de popularidade. E é exatamente o que acontece na maioria das escolas americanas. Em vez de depender de um teste real, a posição de alguém no ranking depende principalmente de sua capacidade de subir no ranking. É como a corte de Luís XIV. Não há oponente externo, então os alunos viram oponentes uns dos outros.

Quando há um teste externo e real de habilidades, não é doloroso estar na base da hierarquia. Um novato num time de football não se ressente da destreza do veterano; ele espera um dia ser como o outro e fica feliz em ter a chance de aprender com ele. O veterano pode, por sua vez, ter um senso de noblesse oblige24. E, mais importante, seu status depende de quão bem eles se saem contra os oponentes, não de se conseguem empurrar os outro para baixo.

Hierarquias de corte são coisa completamente diferente. Este tipo de sociedade corrompe qualquer um que a adentre. Não há admiração na base, nem no topo. É matar ou ser morto.

Este é o tipo de sociedade criado nos estabelecimentos secundários americanos. E isto acontece porque estas escolas não têm nenhum objetivo além de manter os alunos em um lugar um certo número de horas por dia. O que eu não percebia na época, e de fato não percebi até muito recentemente, é que os horrores gêmeos da vida escolar, a crueldade e o tédio, ambos têm a mesma causa.





A mediocridade das escolas públicas americanas tem conseqüências piores do que apenas fazer seus alunos infelizes por seis anos. Ela reproduz uma rebeldia que ativamente afasta os alunos daquilo que supostamente deveriam aprender.


Como muitos nerds, provavelmente, só anos depois do ensino médio pude me fazer ler qualquer coisa que nos foi mandada na época. E perdi mais do que livros. Eu desconfiava de palavras como "caráter" e "integridade" porque haviam sido tão desgastadas pelos adultos. Do modo como as usavam então, todas estas palavras pareciam significar a mesma coisa: obediência. Os alunos que eram elogiados por estas qualidades tendiam a ser, no melhor dos casos, "touros premiados" de espírito enfadonho, e no pior dos casos, pessoas de boa lábia. Se isso era o que caráter e integridade eram, eu não queria nem um pedaço disto.

A palavra que pior entendi foi "tato"25. Como era usada pelos adultos, parecia significar ficar de boca calada. Eu imaginava que era derivada da mesma raiz de "tácito" e "taciturno"", e que literalmente significava ficar quieto. Jurei que nunca teria tato; eles nunca me calariam. De fato, é derivada da mesma raiz de "tátil", e significa ser habilidoso no toque. Ter tato é o oposto de ser desajeitado. Não acho que aprendi isto até a faculdade.



Os nerds não são os únicos a saírem perdendo na corrida de ratos da popularidade. Os nerds são impopulares porque são desfocados. Há outras crianças que deliberadamente se retiram da contenda porque ficam enojadas demais com todo o processo.

Adolescentes, mesmo os rebeldes, não gostam de estar sós, então quando garotos optam por deixar o sistema tendem a fazê-lo em grupo. Nas escolas que freqüentei, o foco da rebelião era o uso de drogas, especificamente de maconha. Os garotos desta tribo vestiam camisas pretas de bandas e eram chamados de "esquisitos".

Esquisitos e nerds eram aliados, e havia uma boa dose de sobreposição entre ambos. Esquisitos, em geral, eram mais inteligentes que os outros alunos, apesar de nunca estudar (ou pelo menos não aparentar) ser um importante valor tribal. Eu estava mais no campo dos nerds, mas fiz amizade com um monte de esquisitos.

Eles usavam drogas, pelo menos a princípio, para criarem laços sociais. Era algo a se fazer junto, e como drogas eram ilegais, era um emblema compartilhado de rebeldia.

Não estou dizendo que más escolas sejam a única razão por que jovens tenham problemas com drogas. Depois de um tempo, as drogas adquirem seu próprio ímpeto. Não duvido que alguns dos esquisitos, em última instância, usassem drogas para escapar de outros problemas -- problemas em casa, por exemplo. Mas, na minha escola pelo menos, a razão para a maior parte deles começar a usar drogas era a rebeldia. Os garotos de quatorze anos não começavam a fumar maconha porque ouviram que os ajudaria a esquecerem seus problemas. Eles começavam porque queriam entrar para uma tribo diferente.

O mau governo gera a rebelião; esta idéia não é nova. E ainda assim as autoridades agem na maior parte como se as drogas fossem em si a causa do problema.



O verdadeiro problema é o vazio da vida escolar. Não veremos soluções até que os adultos percebam isto. Os primeiros adultos que podem percebê-lo são os que eram nerds na escola. Você quer que seus filhos sejam tão infelizes no oitavo ano quanto você? Eu não. Bem, então, há algo que possamos fazer para consertar as coisas? Quase que certamente. Não há nada inevitável no sistema atual. Ele ficou assim sobretudo por omissão.

Os adultos, entretanto, são ocupados. Comparecer a apresentações escolares é uma coisa. Assumir a responsabilidade pela burocracia educacional é outra. Talvez uns poucos tenham energia para tentar mudar as coisas. Imagino que a parte mais difícil seja perceber que você pode.

Os nerds que ainda estão na escola não deveriam prender a respiração. Talvez um dia uma força de adultos fortemente armados apareça de helicóptero para resgatá-los, mas provavelmente não virá este mês. Qualquer melhoria na vida dos nerds provavelmente terá que vir dos próprios nerds.

O simples fato de compreender a situação deve torná-la menos dolorosa. Os nerds não são os perdedores. Eles apenas estão jogando outro jogo, e um jogo muito mais próximo do que é jogado no mundo real. Os adultos sabem disso. É difícil encontrar adultos de sucesso agora que não afirmem terem sido nerds no ensino médio.

É importante que os nerds saibam, também, que a escola não é a vida. A escola é uma coisa estranha e artificial, metade estéril e metade selvagem. Ela te envolve por completo, como a vida, mas não é a coisa real. É apenas temporário, e se você olhar, você pode ver além dela mesmo quando ainda estiver nela.

Se a vida parece horrível para a garotada, não é porque os hormônios estão transformando vocês todos em monstros (como crêem seus pais), nem porque a vida real é horrível (como você acredita). É porque os adultos, que não têm mais utilidade econômica para vocês, os abandonaram para passarem anos reunidos sem nada real para fazer. É horrível viver em qualquer sociedade deste tipo. Não é preciso olhar mais longe para explicar porque adolescentes são infelizes.

Eu disse algumas coisas duras neste ensaio, mas na verdade é uma tese otimista - de que diversos problemas que consideramos dados, de fato não são insolúveis, afinal. Adolescentes não são inerentemente monstros infelizes. Esta notícia deveria ser encorajadora tanto para adolescentes quanto para adultos.


[Gostou? Continua em Re: Por que nerds não são populares]

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Notas:

1- O ensino médio lá vai até o 4º ano (senior high school).

2- É um jogo americano extremamente violento, que se joga com as mãos, os ombros, cotovelos e uma bola quadrada.

3- Vc já deve ter visto em filmes americanos, são umas garotinhas que acompanham os times das escolas durante os jogos.

4- Abreviação de "retardados". Eram tempos menos politicamente corretos.

5- Acho que aqui caberia "sabido", pq no texto "intelligence" e "smart" são usados no sentido de "saber mais que os outros", não de inteligência propriamente dita. Mas como está não prejudica a intelecção do texto.

6- Homem do Renascimento era um ideal de vida que surgido no Renascimento, um homem de conhecimentos universais, que fosse perito tanto nas artes (todas elas) como nas ciências. Polímata.

7- "Navy SEALs", no original. A sigla seria traduzida "FOCAS", mas perderia o sentido original. Trata-se de uma força de operações especiais altamente especializada da marinha americana, sem equivalente exato em português.

8- "Coolness" -> gíria adjetiva substantivada para "maneiro".

9- "Day job" -> expressão sem equivalente em português, que designa o emprego de uma pessoa que, à noite, tenta se consolidar em uma carreira que a satisfaça mais (geralmente artistas), só para se sustentar. Como a Penny.

10- pt.wikipedia.org/wiki/O Senhor das Moscas

11- "Tread water": flutuar na água na posição vertical.

12- Quem pratica bullying. Caberia "valentão", mas aí perderia a relação com a palavra "bullying" acima, que não se traduz em português.

13- Em outra parte do site, Graham explica melhor que pensa que "para cada função existe uma forma", à semelhança da teoria evolutiva lamarckista. "Forma" aqui seria a forma de um órgão, a forma sem função se atrofia, a forma que atende a uma função se hipertrofia ou se especializa naquela função. "A forma deriva da função. Todas as coisas evoluem para uma forma ditada pelas demandas postas sobre si. E ninguém demanda das escolas mais do que manter as crianças fora das ruas até que tenham idade para a faculdade. Então é isso o que fazem. Na minha escola, era fácil não aprender nada, mas difícil sair do prédio sem ser pego."

14- Aqui a expressão é "society wives", que se refere a esposas desocupadas de homens ricos.

15- Leia nota 13.

16- Trata-se de um encontro de jogadores e cheerleaders com a torcida antes de um jogo importante, com o propósito de elevar o ânimo geral.

17- Estadunidense de origem européia que, por qualquer motivo, se diz indígena (geralmente xamã ou curandeiro). Termo pejorativo.

18- Nos EUA, chamam de "subúrbio" os lugares mais esparsamente habitados, menos agitados que as metrópoles, onde as pessoas vivem em casas amplas e com jardins (bem diferentes dos subúrbios brasileiros).

19- "Holding pen" -> Curral para confinamento de curto prazo.

20- É a bola de football.

21- "Working dogs" e "lapdogs" -> o primeiro nunca ouvi em português, trata-se de cães utilizados para trabalhos em geral. O segundo, literalmente seria "cães de colo".

22- "Medicine doctor", no original. A tradução literal quebraria a fluência do texto.

23- "Cliff's Notes", no original -> Coleção de resenhas de livros, escritas por um cara chamado Cliff, publicadas e vendidas nos EUA. Sem correspondente em português, que eu saiba.

24- Em francês no original. Significa a obrigação moral de agir de acordo com sua posição elevada.

25- "Tact", no original. A confusão parece idiota em português, mas na língua materna de Graham, o sentido do toque é "touch", sendo "tact" utilizada sempre no sentido abstrato.

6 comentários:

  1. Como já tinha falado à você, gostei muito do texto e repassei a amigos...espero ler coisas novas...abraços

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  2. Eu ja tinha entendido isso, só que nunca parei para escrever ,talvez para o autor no caso, que mora nos Estados Unidos, deve ser beeem mais pesado isso, um bom exemplo são os filmes.

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  3. Muito boa a tradução e adaptação.
    Um texto com a visão de quem está de dentro, sempre terá um refinamento muito maior.
    Fui nerd, nunca sofri bully, mas vi amigos sofrerem. É uma triste realidade que se espalha.

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  4. o.O sou adolescente, e estou mais para os nerds, mas para tentar subir na hierarquia ja fiz algumas crueldades como essa, realmente mto bom o texto, incrível como vc passa a reconhecer a realidade em que vc vive, não havia percebido como o jogo funcionava.

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  5. Genial, Li o inglês mas agora que vi esse daqui :D

    Boa tradução.

    Sobre o texto: Realmente, esse jogo não vai acabar tão cedo.

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  6. De fato, esse texto foi um exercício para a minha mente, pois eu ainda sou adolescente e estava mesmo procurando um texto que comprovasse o que eu já pensava. Ótimo texto!

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